Somos seres complexos, fisica e emocionalmente. Nossos ossos, ligamentos e terminações nervosas falam muito sobre nós, mas estão longe de dizer tudo. O pilates é um método que trabalha com corpo, mente e espírito, então uma avaliação de pilates precisa buscar um entendimento maior do indivíduo, uma compreensão global.

É nisso que acredita a Drª Vanessa Sanders, que além da experiência que tem com o método como instrutora no studio Equipe Vanessa Sanders, onde dá aulas e ministra cursos de formação, é também uma pesquisadora do pilates e autora de uma dissertação de mestrado e de uma tese de doutorado voltadas a ele.

Vanessa recomenda que o instrutor entreviste o futuro aluno, sem ser invasivo e nem paternalista, e se informe sobre o quadro clínico geral, que inclui aspectos físicos e emocionais. Ela justifica dizendo que o próprio Joseph Pilates entendia que o corpo e a mente não estão separados em uma concepção de movimento bodymind.

O que analisar?

É fundamental que a avaliação de pilates, que Vanessa denominou de “Avaliação Global”, seja feita antes do início das aulas.

De acordo com a profissional, é importante sim realizar uma avaliação física, com testes de flexibilidade, força muscular, testes funcionais e posturais; solicitar exames de rotina; verificar se há medicações de uso contínuo ou eventual, mas também é preciso observar se o aluno tem dores crônicas e se a procura pelo método pilates é por indicação médica.

Deve ser feita uma tentativa de compreender inicialmente quem é esse aluno, o que ele pretende com a prática do método pilates e qual é a motivação que tem.

É importante também avaliar a história de movimento do aluno e a postura, pois ela reflete uma marca do padrão de movimento cotidiano dele.

“Muitas vezes o aluno procura o studio somente por indicação médica, mas a sua relação com o movimento corporal é limitada ou traumatizada. Nesse sentido, tentamos traçar um perfil a partir da história de movimento de cada indivíduo”, explica.

Vanessa cita o exemplo de uma aluna que estava com sobrepeso, com dores na região cervical devido à sobrecarga das mamas e que era fumante. No entanto, ela havia praticado ginástica artística durante a infância.

Essa aluna, apesar das dificuldades respiratórias, foi extremamente motivada na prática e obteve grandes benefícios para a saúde, incluindo o abandono do tabagismo.

“Conseguimos resgatar a memória de atleta e o pilates proporcionou desafio, além de todos os benefícios já comprovados cientificamente”, assegura.

Para saber mais sobre os benefícios comprovados cientificamente que Vanessa Sanders cita, assista a este webinar da profissional.

Que perguntas devem ser feitas?

Na avaliação de pilates, há diversos questionamentos que você pode fazer. Inclusive, além das perguntas-prontas, outras podem ir surgindo, conforme as respostas do aluno.

Alguns questionamentos iniciais indicados por Vanessa são:

  • O que te trouxe até nós?
  • Quais são os seus objetivos?
  • Você gosta de movimentar-se?
  • Como é o seu dia a dia?
  • Você passa muito tempo no sofá?
  • O seu lazer é ativo?
  • Você usa medicamentos para depressão ou ansiedade?
  • Você gosta de academia?
  • Você teve uma infância ativa?
  • Gostava das aulas de educação física?

Conforme Vanessa, nas respostas é possível compreender qual é o ritmo do aluno em relação aos movimentos cotidianos. Se ele é mais sedentário ou sempre foi. Se está motivado ou pressionado por parentes. Como se relaciona com dores crônicas e com o próprio corpo.

“Traçando esse perfil, você, enquanto instrutor, poderá identificar que técnica utilizar com esses alunos”, explica.

Ela fala que um exemplo de perfil muito comum é o de alunos ansiosos que estão desconectados com o próprio corpo e realizam os movimentos sem aplicar as técnicas de respiração do método pilates.

“É muito comum esta situação. Sem atenção, o aluno poderá lesionar-se”, assegura.

Importância

A avaliação de pilates em um sentido mais global nem sempre é realizada pelos profissionais de pilates, até por desconhecimento.

“Acredito que intuitivamente, os profissionais mais experientes acabam realizando esta avaliação mais subjetiva do sujeito. Depende do nível de comprometimento do profissional em entender que o ser humano é complexo e multifatorial”, afirma.

Vanessa diz que a avaliação global deve ser feita porque com ela é possível entender o momento de cada indivíduo e quais as razões que o levaram a buscar o studio.

Ela conta que essas motivações podem se alterar conforme a prática. “Um exemplo corriqueiro é o aluno buscar o alívio de dores e, com o fortalecimento e o alongamento proporcionados pelo método pilates, esse mesmo aluno, após seis meses ou menos, já ter objetivos estéticos”, informa.

Para a profissional, casos como esse devem ser entendidos como uma busca de melhora na autoestima do indivíduo.

Benefícios não-físicos do pilates

Para entender os benefícios do pilates que transcendem a parte física, Vanessa diz que é necessário pensar no conceito corpo-mente como uma unidade integrada.

De acordo com a profissional, há diversos estudos que relacionam o pilates com a percepção de qualidade de vida, de dor, de bem-estar subjetivo, com depressivos, sobre o medo de quedas, entre outros.

“Todas as técnicas corporais que utilizam exercícios respiratórios são comprovadamente um tratamento para a autorregulação emocional e física. Ou seja, para realizar um movimento consciente, eu preciso arquitetar as distrações externas e “escutar o meu corpo””, afirma.

Nesse sentido, Vanessa explica que alguns perfis de indivíduos que se beneficiam muito do pilates são: pessoas com déficit de atenção, ansiosos e depressivos.

Quando encaminhar para outros profissionais

Durante a avaliação de pilates, o profissional pode detectar que o aluno precisa também de auxílio psicológico ou psiquiátrico, e deve orientá-lo nesse sentido, como em casos de depressão, por exemplo.

“O instrutor de pilates não deve ter a função de psicólogo, não é a nossa área”, instrui Vanessa. Para ela, a sensibilidade no trato clínico é importante, porém, há casos em que o aluno deve também ser encaminhado para profissionais que tratam da saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, ou então para outros profissionais da saúde, como nutricionistas.

Esse encaminhamento, no entanto, deve ser feito com tato. Vanessa recomenda que o instrutor procure o momento adequado para realizar essa indicação, e sem constranger o aluno. Que converse com ele, deixando-o livre para procurar esse tratamento especializado.

“Cada profissional deve dominar a sua área. Um aluno comprometido com a sua saúde é um cliente fiel, e você, uma referência para ele”, enfatiza. Para ela, a relação aluno x instrutor deve ser a mais transparente possível.

Leia maisLeia mais
– A importância da avaliação física de pilates
– Pilates com iniciantes: o que um instrutor precisa saber

Você já fez uma avaliação de pilates global? Comente abaixo! E não deixe de assistir ao webinar da Drª Vanessa Sanders.

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