Um assunto recorrente quando se fala em exercícios de pilates é sobre quem pode aplicá-los com a intenção de reabilitação e quem deve ministrá-los para o condicionamento físico. Afinal, há alguma diferença ou necessidade específica na hora das práticas?

De acordo com a fisioterapeuta e profissional de educação física Daniele Kurata, que atua com pilates há quase 10 anos e é dona da rede de studios Equipe Daniele Kurata, os exercícios são iguais, mas há necessidades específicas sim.

Reabilitação x Condicionamento físico

“Não existem exercícios só para reabilitação ou só para condicionamento físico”, garante Daniele. No entanto, a profissional ressalta que em exercícios de pilates voltados para a reabilitação, deve-se ter conhecimento da patologia que está sendo tratada.

Ela frisa que essa compreensão é necessária na hora de escolher quais exercícios de pilates devem ser ministrados para cada caso. Tal conhecimento, de acordo com a profissional, não é abordado na formação em educação física, que é uma das que ela mesma possui.

“Em um trabalho após a fase inicial da lesão, aonde o indivíduo está apto à prática de exercícios, o profissional de educação física especializado pode ajudar muito, mas na fase inicial, o fisioterapeuta deve ser procurado”, afirma.

Daniela diz também que, por outro lado, para a prescrição de exercícios de pilates, criatividade e treinamento, o profissional de educação física tem muito mais habilidade do que um fisioterapeuta.

Ela explica que isso ocorre porque a formação em educação física é mais voltada para exercícios, com fundamentação em biomecânica, fisiologia do exercício e treinamento desportivo, por exemplo, o que o fisioterapeuta não tem durante a formação.

O que muda nos exercícios em cada caso

Conforme Daniele, os exercícios de pilates com finalidade de melhora do condicionamento físico também podem ser aplicados na reabilitação, porque esse também é um dos objetivos do processo de recuperação.

No entanto, há diferenças com relação à intensidade. “Quando trabalho com pessoas que não apresentam restrições osteomioarticulares, procuro trabalhar com exercícios de pilates que demandam um esforço de maior intensidade”, explica.

O foco, nesses casos, vai da zona moderada à intensa, controlada pela frequência cardíaca, com intervalos menores de descanso ou em formas de circuito. A intensidade de esforço, então, é aplicada  de acordo com o nível de condicionamento que cada aluno apresenta.

“Utilizo como parâmetro também a percepção subjetiva de esforço para constatar se os alunos estão realizando os exercícios dentro da zona de esforço desejada”, informa.

Já para pacientes que buscam a reabilitação nos exercícios de pilates, Daniele procura trabalhar com os princípios do método (respiração, centralização, entre outros); biomecânica do exercício com correção de movimento; além de muita educação em movimento corporal, trabalhando consciência e controle motor.

Exemplos de exercícios de pilates

  • Para reabilitação

Roll Up – deitado em decúbito dorsal, com o corpo todo estendido. Inicia inspirando lentamente, flexionando a cervical, fazendo rolamento para frente, com corpo todo em contração, até sentar e retornar à posição inicial de forma lenta e com respiração ativa.

O exercício trabalha o fortalecimento do core e a mobilidade articular da coluna vertebral para disfunções que a envolvem. Na execução dele, é preciso tomar cuidado com a individualidade e a capacidade de cada pessoa.

  • Para condicionamento físico

Footwork – trabalhar com uma sequência de footworks no aparelho Reformer, sem dar pausa para descanso, e ir modificando os exercícios.

Vantagens de ser um profissional com as duas formações

Graduada em fisioterapia e em educação física, Daniele Kurata acredita que ter as duas formações para o exercício do pilates é um casamento perfeito, pois elas se complementam muito.

“A formação em fisioterapia e em educação física possibilita um “olhar” diferente, aonde você tem a liberdade de trabalhar desde a reabilitação até o condicionamento físico com atletas, sem se preocupar com fiscalização, por exemplo. Não fico de mãos atadas para trabalhar”, relata.

Daniele conta que, dessa forma, sente que não tem o pensamento restritivo da fisioterapia e nem tão liberal, como o do profissional de educação física. Para ela, o que falta de um lado, o outro complementa, e vice-versa.

Além disso, a profissional acredita que é importante ter paixão pelo exercício da profissão, como ela tem pelo pilates e por suas duas formações.

“Esse é o segredo, na verdade. Gostar do que faz, gostar de ajudar as pessoas. Não é fácil, mas quando você vê o resultado, é o que faz tudo valer à pena. Tem que gostar!”, revela.

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